terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"Harry Brown", Daniel Barber, 2009

Harry Brown (Michael Caine) é um velho amargurado pela recente morte da esposa e do seu único amigo, assassinado pelos delinquentes da zona, depois de perder a cabeça e os atacar na sequência de repetidas provocações.

Um filme amargo e violento, que é também um espelho da violência urbana e a tibieza do sistema legal, policial e judicial, que, ancorado em valores "humanistas", é incapaz da protecção mais básica às pessoas. É daqueles filmes que dá discussões intermináveis nas faculdades de sociologia e direito, já para não falar nas escolas de polícia e tribunais, porque mostra e quase justifica o "direito" à indignação e ao uso da violência, à vingança pelas próprias mãos, quando a segurança desaparece na sociedade. Mas mostra, sobretudo, a falta de "sociedade" da sociedade de hoje, isto é, a coexistência no mesmo espaço de grupos desprotegidos e grupos de marginais (excluídos? auto-excluídos?) que usam a violência como forma de se afirmarem e de se divertirem. O que fica explicito num dos diálogos finais, em que Harry Brown, ao responder aos eu envolvimento nos conflitos da Irlanda do Norte, como Marine, diz algo como: "Mas lá nós sabíamos porque é que lutávamos. Aqui eles fazem-no para se divertirem". Mesmo que a diversão seja drogar-se e atirar às cegas para as mães que passeiam os filhos no parque.

Um tema que é difiícil abordar sem cair na linguagem esterotipada, ou sem demonstrar pré-concepções.

Michael Caine é arrepiante de frieza, usando a cara como uma máscara.

A ver, sem dúvida.

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